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sábado, 25 de março de 2017

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Após 'Carne Fraca', frigoríficos suspendem abate de gado no Acre

Com a repercussão da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, os dois frigoríficos do Acre que realizam exportação resolveram interromper o abate de gado desde a segunda-feira (20). A informação foi divulgada pela Federação de Agricultura e Agropecuária do Acre (Faeac). A medida foi tomada como forma de precaução para evitar prejuízos.

A operação - considerada a maior da Polícia Federal quando se fala em números -  apura um suposto esquema de fraude na produção e comercialização de carne no país. O trabalho soma 309 mandados, sendo 37 de prisão, e encontrou indícios de adulteração e venda de produtos vencidos. Nenhum dos frigoríficos acreanos foi citado.

O presidente da Faeac, Assuero Veronez, diz que em torno de 75% da carne acreana é exportada para outros estados brasileiros e, devido ao cenário, houve a decisão de interromper a produção. "Como lá [outros estados] represou por conta do mercado internacional, o mercado local deu uma parada, porque se ficar abatendo pode sobrar carne", fala.

Veronez acrescenta que não existe estimativa sobre possíveis prejuízos no setor e que também ainda não foi necessária nenhuma modificação no quadro de trabalhadores, como demissão ou redução de jornada de trabalho. Segundo ele, o processo de abate deve reiniciar na próxima segunda (27).

Para o presidente da federação, a maior consequência que o Acre deve sofrer está relacionada aos preços do produto. 

"Vamos ter uma crise na cadeia em função da queda dos preços, é quase inevitável. A nosso preocupação é que somos o ele mais fraco na cadeia e não temos como transferir custos. O nosso custo é real. Não sabemos que preço vai ser pago pelo boi na semana que vem", ressalta.

Carne Fraca

A operação investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Segundo a PF, parte dos locais investigados usava produtos químicos para maquiar a carne vencida e injetava água para aumentar o peso.

Houve ainda, de acordo com a polícia, a atuação próxima a fiscais para evitar interdições e emitir certificados. Além disso, a PF diz que o PP e o PMDB eram beneficiados com propina envolvendo o esquema ilegal de venda de carnes. Os dois partidos, no entanto, dizem desconhecer o teor das denúncias.

Mais de 1 mil policiais federais estão envolvidos no trabalho, que é feito em seis estados e Distrito Federal (DF). A operação contabiliza 36 pessoas presas e mais uma foragida. Dos mandados, 111 foram de buscas contra pessoas e 70 contra empresas. Três frigoríficos foram interditados - BRF em Mineiros (GO) que produz frango, chester e peru da Perdigão; e Peccin Agro Industrial em Curitiba (PR) e em Jaraguá do Sul (SC) que produz salsicha e mortadela.



FONTE:G1 ACRE

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